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PedidoAtivo

DRE gerencial para pequena empresa: como montar e como ler

Por Pedido Ativo · · 7 min de leitura

Resposta rápida

A DRE gerencial é um resumo mensal que parte da receita, desconta impostos, custo do que foi vendido e despesas, e chega ao resultado do mês. Ela responde a pergunta que o extrato bancário não responde: a operação deu lucro ou não? Para montar, você precisa de receitas e despesas classificadas por categoria e registradas no mês a que pertencem, não no mês em que o dinheiro se moveu. É diferente da DRE contábil porque serve para decidir, não para cumprir obrigação.

Gráfico de linha desenhado à mão em uma folha, com régua e canetas

Muito dono de empresa mede o mês pelo saldo da conta. Sobrou dinheiro, foi bom. Faltou, foi ruim. Só que caixa e lucro são coisas diferentes. Você pode ter lucro e ficar sem caixa, porque vendeu a prazo. E pode ter caixa e prejuízo, porque recebeu adiantado por algo que ainda vai custar. A DRE gerencial separa as duas coisas.

A estrutura em seis linhas

  1. Receita bruta: tudo que você vendeu no mês.
  2. Deduções: impostos sobre a venda, devoluções e descontos.
  3. Custo do que foi vendido: mercadoria, matéria-prima, comissão, frete da venda, taxa de cartão. O que só existe porque houve venda.
  4. Margem de contribuição: o que sobra para pagar a estrutura.
  5. Despesas fixas: aluguel, folha, pró-labore, sistemas, contador, energia.
  6. Resultado operacional: o que a operação gerou no mês.

Abaixo disso entram juros, parcelas de empréstimo e investimentos, que explicam a diferença entre o resultado e o caixa.

Um exemplo com números hipotéticos

Só para ilustrar a conta: uma loja vende 100 mil no mês. Paga 8 mil de imposto sobre a venda. A mercadoria vendida custou 55 mil, e as taxas de cartão somaram 3 mil. A margem de contribuição é 34 mil. As despesas fixas somam 28 mil. Resultado: 6 mil.

Agora a leitura. De cada 100 reais vendidos, 34 sobram para pagar a estrutura. A estrutura custa 28 mil, então a loja precisa vender perto de 82 mil só para empatar. Esse é o ponto de equilíbrio. Abaixo dele, cada mês aumenta o buraco. Esse tipo de conclusão não aparece no extrato.

Os erros que distorcem a DRE

  • Misturar conta pessoal com conta da empresa. A escola do filho no cartão da empresa vira despesa que não existe.
  • Não registrar pró-labore. Sem o salário do dono, o lucro aparece maior do que é.
  • Lançar compra de mercadoria como custo do mês. Custo é o que foi vendido, não o que foi comprado. O que sobrou é estoque.
  • Usar a data do pagamento em vez do mês de competência. O décimo terceiro pago em dezembro pertence ao ano inteiro.
  • Categoria "outros" gigante. Se um quinto das despesas está em "outros", a DRE não explica nada.

Como ler em dez minutos por mês

Leia em percentual da receita e sempre comparando com os meses anteriores. Três perguntas bastam. A margem de contribuição subiu ou caiu? Se caiu, o problema está em preço, desconto ou custo de compra. Qual despesa fixa cresceu mais que a receita? É ali que a estrutura está engordando. O resultado cobre as parcelas e ainda sobra para reinvestir?

Uma clínica, por exemplo, pode descobrir que a receita cresceu, mas a margem caiu porque o procedimento mais vendido é o que usa o insumo mais caro. Sem a DRE, a sensação seria de mês bom.

Quem tem mais de uma unidade, ou mais de uma linha de negócio, ganha muito ao abrir a DRE por centro de resultado. Uma rede com três lojas pode descobrir que duas sustentam a terceira. Uma empresa que vende produto e presta serviço pode perceber que o serviço, tratado como complemento, é o que paga a estrutura. Para isso, basta que cada receita e cada despesa direta carregue a marca da unidade a que pertence. As despesas comuns ficam numa coluna à parte, sem rateio forçado.

Outro cuidado é o prazo. DRE que chega no dia vinte e cinco do mês seguinte serve para arquivo, não para decisão. O objetivo é fechar nos primeiros dias úteis, enquanto ainda dá para corrigir o rumo do mês corrente. Isso só acontece quando os lançamentos são classificados ao longo do mês, e não numa maratona no final.

Como tirar a DRE da dependência de uma planilha manual

A DRE costuma morrer porque dá trabalho. Alguém exporta o extrato, classifica linha por linha, cola na planilha, e no terceiro mês desiste. A solução é classificar na origem: cada lançamento já nasce com categoria no financeiro, e a DRE se monta sozinha. Regras automáticas resolvem o grosso. Fornecedor tal é sempre mercadoria, débito tal é sempre aluguel. Sobra para a pessoa revisar só o que fugiu do padrão.

É esse tipo de estrutura que montamos em gestão com dados, lendo o sistema financeiro que você já usa.

A parte de classificar lançamentos e conciliar extrato é um bom caso de automação.

Se você quer ver a DRE da sua empresa sem depender de montagem manual, peça o diagnóstico grátis. A gente avalia de onde os dados podem vir e o que falta organizar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre DRE gerencial e DRE contábil?

A contábil segue normas e serve para o fisco, bancos e sócios. A gerencial usa as categorias que fazem sentido para a sua decisão e pode sair poucos dias depois do fim do mês. As duas devem conversar, mas não precisam ser iguais.

Meu contador não faz isso?

Alguns fazem, e vale perguntar. Muitos entregam só a contábil, com prazo e formato pensados para obrigação legal. A gerencial depende de dados do dia a dia que normalmente estão dentro da empresa, não no escritório contábil.

Empresa do Simples precisa de DRE gerencial?

Precisa tanto quanto qualquer outra. O regime de imposto simplifica o recolhimento, não a gestão. Saber se a operação dá lucro é necessidade de qualquer tamanho.