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IA e LGPD: os dados da sua empresa treinam o modelo?

Por Pedido Ativo · · 7 min de leitura

Resposta rápida

Depende de qual serviço você usa e em que condições. Versões gratuitas ou pessoais de ferramentas de IA podem usar as conversas para melhorar os modelos, a menos que você desative isso. Já os planos empresariais e o acesso via API dos principais fornecedores costumam declarar em contrato que não usam os seus dados para treinamento. Em qualquer caso, a LGPD continua valendo: a sua empresa responde pelos dados pessoais que envia, então leia os termos antes de usar.

Cabos de rede conectados a um painel numerado

A cena é comum. Um funcionário pega a planilha de clientes, cola numa ferramenta de IA gratuita e pede um resumo. Em dois minutos ele resolveu o problema dele. E a empresa acabou de enviar nome, CPF e telefone de centenas de pessoas para um terceiro, sem contrato e sem ninguém saber.

Não foi má-fé. Foi falta de regra. Este artigo explica o que acontece com o dado e o que a sua empresa precisa combinar internamente. Não substitui orientação jurídica para o seu caso.

Uso pessoal, plano empresarial e API: qual a diferença

  • Versão gratuita ou pessoal: feita para o consumidor. Os termos frequentemente permitem usar as conversas para aprimorar o serviço, com opção de desligar nas configurações.
  • Plano empresarial: contratado pela empresa, com termos comerciais. Os principais fornecedores declaram não treinar com os dados desses planos e oferecem controles de administração.
  • API: é por onde sistemas e agentes se conectam ao modelo. Os termos comerciais dos grandes fornecedores, em geral, excluem o uso dos dados para treinamento por padrão.

A expressão 'em geral' não está aí à toa. Termos mudam, e cada fornecedor tem o seu. O que vale é o documento vigente no dia em que você contrata. Guarde uma cópia.

Não treinar não significa não guardar

Mesmo quando o fornecedor não treina com os seus dados, ele pode retê-los por um período, para segurança e prevenção de abuso. Pergunte, ou procure nos termos: por quanto tempo os dados ficam armazenados? Em que país? Quem tem acesso? É possível reduzir ou zerar a retenção?

Pela LGPD, enviar dado pessoal para um servidor fora do Brasil é transferência internacional, que tem regras próprias. Isso não impede o uso, mas precisa estar previsto nos seus documentos de privacidade.

Há ainda o risco que não tem a ver com treinamento: vazamento. Qualquer fornecedor pode sofrer um incidente. Quanto menos dado pessoal você envia, menor o estrago possível. Esse raciocínio vale para IA e para qualquer outro serviço em nuvem que a sua empresa usa.

O que a LGPD exige da sua empresa ao usar IA

A lei não proíbe IA. Ela trata a IA como qualquer outro tratamento de dados. A sua empresa é a controladora: decide por que e como o dado é usado, e responde por isso. O fornecedor de IA é operador, age em seu nome.

  • Ter uma base legal para o tratamento, como execução de contrato ou consentimento.
  • Usar só o dado necessário para a finalidade. Se a IA vai classificar o assunto de uma mensagem, não precisa receber o CPF.
  • Informar o titular, na política de privacidade, que ferramentas de terceiros são usadas.
  • Redobrar o cuidado com dados sensíveis, como saúde, e com dados de crianças e adolescentes.
  • Garantir revisão humana quando uma decisão automatizada afetar a pessoa, como uma recusa de crédito.

Cuidados práticos para o dia a dia

  1. Escreva uma regra de uma página: quais ferramentas de IA a equipe pode usar e o que nunca deve ser colado nelas.
  2. Contrate um plano empresarial para quem usa IA no trabalho. Custa pouco perto do risco.
  3. Anonimize sempre que possível. Troque nomes por códigos antes de enviar.
  4. Em sistemas sob medida, envie para o modelo apenas os campos necessários e registre o que foi enviado.
  5. Revise os termos dos fornecedores uma vez por ano.

Num escritório de advocacia ou numa clínica, esses cuidados pesam ainda mais, porque além da LGPD existe sigilo profissional. A regra interna deixa de ser recomendação e vira obrigação.

Descrevemos como tratamos dados, acessos e fornecedores nos projetos que entregamos na página de segurança.

O que perguntar a quem vai construir sua solução com IA

  • Qual modelo e qual fornecedor serão usados, e sob quais termos?
  • Os meus dados são usados para treinamento? Onde isso está escrito?
  • Por quanto tempo ficam retidos e em que país?
  • Quais dados pessoais são enviados ao modelo e por quê?
  • Existe registro do que o agente acessou e fez?

Um fornecedor sério responde a essas perguntas sem enrolar. Se a resposta for 'fica tranquilo, é seguro', continue perguntando.

Outras perguntas comuns sobre contratação estão em dúvidas frequentes.

Se quiser avaliar como usar IA na sua empresa com esses cuidados desde o início, comece pelo diagnóstico grátis.

Perguntas frequentes

Posso colar dados de clientes no ChatGPT ou em ferramentas parecidas?

Em conta gratuita ou pessoal, não é recomendado, porque não há contrato entre a sua empresa e o fornecedor cobrindo aquele tratamento. Em plano empresarial, com termos adequados e finalidade legítima, é possível. Mesmo assim, envie apenas o necessário e anonimize quando der.

Preciso pedir consentimento do cliente para usar IA no atendimento?

Nem sempre. O consentimento é uma das bases legais da LGPD, mas não a única. Atender o cliente pode se apoiar na execução do contrato, por exemplo. O que não pode faltar é transparência: avise que o atendimento usa um assistente virtual e atualize sua política de privacidade.

Existe IA que roda sem enviar dados para fora da empresa?

Existe. Há modelos abertos que podem rodar em servidor próprio ou em nuvem contratada no Brasil. Costumam exigir mais investimento e entregar menos qualidade do que os modelos de ponta, então fazem sentido quando o sigilo é requisito absoluto.